terça-feira, 7 de agosto de 2018

Canção de Toda Sorte

Me apaixonei pela cigana 
Que leu a sorte na minha mão 

Conhecendo meu futuro 
Fiquei sabendo de antemão 

Que a pele branca de seus dedos
Tocou a bola de cristal

Dentre cartas de baralho 
Abriu para mim esse portal

Para a fortuna de beijos 
Que afoito lhe daria

Ela se viu em minha sorte 
Vivendo essa utopia 

Ai morena cigana, quem poderia prever 
Depois de tudo o que passamos 

Que minha sina era você.


D.Bruno 

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Grito de Ajuda

Tão exausta de gritar no vácuo 
O ambiente lotado de criaturas vazias 

-Não me ouvem?

Me debatendo busco a superfície 
Mas ao fundo sou sempre dragada 

-Não me ouvem?

A névoa obscura que domina minh'alma 
Me acorrenta em desespero e solidão 

-Não me ouvem?

Busco salvação em alexandrinos, decassílabos 
Jogo no mar um bilhete na garrafa 

-Não me ouvem?

Me afogo em brumas de exílio forçado 
Isolada pela melancolia de minhas palavras

-Não me ouvem.



D. Bruno 

domingo, 5 de agosto de 2018

Caminhos

Teu corpo é a estrada que cruzo
Em direção a uma Terra Prometida 
De prazeres e gozos difusos 
De gemidos e carne estremecida 

Teus dedos longos alcançam pontos impensáveis
Trazendo êxtase que contorço nua
A tua boca que afoita inunda 
Percorre vales de delírios infindáveis 

A curva do teu corpo pulsante 
Se encaixa perfeito ao ritmo do meu
O movimento do dançar constante 
É a passagem do nosso apogeu

Quantas e quantas vezes novamente nesse dia 
Repetimos a dose de luxúria inebriante 
Teu peito ardente queimava arfante
Com o entrelaçar de pernas em sincronia 

Fantasio desde então 
Com prazeres que vivemos em segredo 
Sussurros que pela madrugada vão 
Desejos transformados em soneto

D. Bruno 

sábado, 4 de agosto de 2018

Fuga

Essa noite sonhei com você 
Com teu corpo brilhando no calor da Califórnia 
Nossos três filhos correndo em volta 
Fantasia no Pier de Santa Mônica 

Caminhamos em família pela areia da praia 
O sol bate em nossos rostos corados 
O pequeno chora um sorvete derramado 
Tu, pai maravilhoso, o acalenta com carinho 

Fugidos para um recomeço em lugar quente 
Tu ensinas os pequenos a usar a bicicleta 
Eu observo de longe minha fantasia completa 
Sinto a brisa do Pacífico bagunçar nossos cabelos 

Desperto então em minha cama fria
Solitária, novamente esquecida
Sonhando agora acordada 
Com uma vida contigo em lugar quente.


D.Bruno 

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Avesso

-Se me afetas, morena?

Teus olhos gigantes, morena 
São duas jabuticabas noturnas
No brilho nublado do amanhecer 

Meu coração palpita, morena
Veloz pela vontade que oculta 
De longos beijos em tua boca tecer

Seguro tua mão, morena
Hesitante que de maneira soturna
Possa cair novamente de paixão     

Te deixo ir embora, morena
Mas meu corpo ainda cultua 
O deleite noturno do nosso colchão



-Sim, me afetas, morena.

D. Bruno 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Cama Fria

Meu corpo repousa em berço gélido 
Sentindo a ausência de teu corpo quente
Minha voz ecoa implorando tua presença 
Clamor este que ignoras colérico 

Foges de mim com força de um turbilhão
Sigo-te pelos cômodos exigindo aconchego 
Permaneço nesta insistência constante 
Correndo atrás de um epílogo a qual eu nunca chego

Tantas palavras jogadas ao vento que te escrevo
E nenhuma delas ao menos foi lida
Buscando tua consideração ainda permaneço 
Entre poesias e poemas de frase sofrida

Vivo em esperanças de conquistar teu afeto
Como o de longínqua data outrora esquecida
Acredito que nada entre nós dois se faz concreto 
E na volta da tua afeição para comigo, agradecida


D. Bruno 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Espuma

Tu que és fruto de minha fantasia mais profunda
Tu que fazes de meus pensamentos tua morada 
Tu que com tua carícia meiga minha face inunda
Tu que te escondes em meus hábitos de origem inexplicada 

Estás em cada música que ouço 
Permanentemente em cada nota tocada
Meu coração que jaz preso em calabouço 
Clama tua presença com a voz embargada

Por que teimo em te manter por perto 
Escondendo de ti o apego que sinto?
As mentiras que conto a mim mesma em vão 
São as mesmas que tu me contas, sorrindo 

Algum dia, enfim, transbordará o sentimento 
E nos afogaremos num mar de frases não ditas 
De tudo que é escuro fará-se a luz
Clareando nossas verdades escondidas.

D.Bruno