sábado, 3 de janeiro de 2015

Entre, olho

Seu par de olhos vazios
Um cortante, um frio
O ébano não mente jamais

Suas mãos quentes e macias
O tato calculado, toque fingido
Armadilha de carinho fugaz

Caio por terra, revolvo lembranças
Cantigas, conversas, andanças
Componho outro soneto sagaz

Minha menina dos olhos,
Com sangue nos olhos,
Eu busco teus olhos,
Que já não me olham mais.

D. Bruno

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Hoje acordei com asas

O desejo de voar era um trovão
E gritava
Sentir a dor de estar presa
E cercada
Nessas grades de gaiola
Invisíveis para outrem

Peço-te que abras as janelas
Puxes as cortinas, cordas, manivelas
Deixes o bater de asas entoar em outros mares

Solto-me enfim de meu grilhão
E libertada
A alforria chega serena
E sonhada
Abrem-se então as asas
Para um infinito além

D. Bruno

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Renascido em Cinza

"A volta da poeta pródiga. O retorno do legado. Novos ares a velhos hábitos."

Estanco o som pesado de lágrimas com resiliência fingida
A voz retorna, outrora esquecida
Minha fênix interior

A mente reside agora em um novo tipo de corpo, estático
A sede inunda meu pranto silencioso, pragmático
E o vazio preenche cada ponto de um novo despertar

Ininteligível
Incompatível
Minha fênix não mais calada,
Essa voz interior

D. Bruno

sexta-feira, 1 de março de 2013

Poeta Marinho


Não olhes com olhos doces, Poeta
e não encostes tuas mãos macias em minha face inquieta.

Te vi enamorado pela pequena musa, Poeta
sal e areia escondem tua verdadeira intenção.

Te vi coberto cuidadosamente com cores e símbolos, Poeta
a dor dos rostos estampados em teu corpo ainda pairam em minha memória.

Sonho com o sangue inocente marcado em tua carne, Poeta
delírios etílicos noturnos são segredos derramados à brisa do mar.

Não esqueço seu perfume marcante, Poeta
o macio de seus lábios permanecerá vivo,
nos cânticos e palavras mais puras de minha mente.

D. Bruno

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Poeta Decide Morrer

Não existem meios fáceis de se lidar com a morte: podemos aceitá-la ou fugir da mesma. No entanto, podemos surpreender o destino: e se decidíssemos morrer? Escolher uma data para o fim, colocar um ponto final no sofrimento, correr contra o vento. Quem se faria surpreso, afinal?
Não sou uma Veronika, mas ao tomar as rédeas do fim de minha vida, decidi ao menos deixar meu legado literário, em versos, prosas, contos e poesias. 

Deixo minhas sílabas destoantes para meus amigos, que se façam fortes e aceitem os pormenores. 
Deixo o sabor agramatical de minhas tenras palavras para meu amor, que destas possa fazer tua cama.
Deixo a sinestesia de meus versos tocar a face úmida de meus familiares, e que esta faça-se em cor e aroma.
Por fim, deixo ao meu Eu Lírico, as dores e pesares não mais necessários.

Agora tudo se faz iluminado.



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013